Peugeot 208: uma aposta na qualidade de desenho

 

  A suavidade nas extremidades do capô, de forma a combinar com o visual limpo, faz com que o rebaixo ao centro seja o item que atrai a atenção, já que é o principal detalhe estético.

  O contorno dessa tomada de ar é uma consequência um tanto óbvia por causa do contorno da grade principal, mas ficou muito bom.

  Em harmonia com o rebaixo do capô, no caso das versões sem o teto de vidro também há um rebaixo no teto. Os cortes tanto no para-brisa quanto no próprio capô fogem um pouco ao trivial, são discretos e dão um interesse a mais.

  Esses bicos formados na região inferior ajudam a acentuar o visual esportivo do modelo. É uma solução estética já vista em carros de outros fabricantes, que agrada a alguns e a outros nem tanto.

 

 

  Apesar da grande área nessa região, não chega a fazer falta algum detalhe estético para a preencher: a superfície do para-choque tem uma quebra que a divide entre a parte superior, pegando mais luz, e a inferior, menos iluminada, o que já faz um bom efeito.

  Simplicidade total nessa área em preto, apenas para tirar um pouco o volume do para-choque. Está combinando com o estilo e bem dimensionado.

  O rebaixo que começa lá no capô termina aí, em volta da terceira luz de freio, mais um bom detalhe. Pode-se dizer que há uma conexão visual desse detalhe com o rebaixo que emoldura a inscrição Peugeot logo abaixo do vidro traseiro.

  Aí está uma amostra da preocupação em fazer com que as coisas estejam em harmonia, nos lugares e com dimensões adequadas. A inscrição Peugeot não é necessária esteticamente, mas dá um toque a mais.

 

 

  Para dar mais destaque à grade e ajudar na impressão de que ela flutua, há uma superfície emoldurando-a. Essa superfície curva para dentro do capô faz parte, mas ficou um pouco estranha. No fim das contas, parece que a grade não pertence a esse carro — o principal ponto de todo o estilo para iniciar uma boa discussão.

  Mais um detalhe para dar um toque de estilo a mais. Ao contrário do que acontece na traseira, porém, esse fica um pouco mais escondido e sem muito sentido.

  A barra transversal, que é o para-choque propriamente dito, está logo aí atrás. Dessa forma não há como escapar desse detalhe que quebra a profundidade do contorno da grade e fica parecendo um suporte que a sustenta, prejudicando um pouco a intenção de parecer flutuar. Incomoda um pouco o visual.

 

 

 

  Fazer contornos trabalhados, com curvas para lá e para cá, é um risco, pois nem sempre traz bons resultados. Esse aí o pessoal da Peugeot fez muito bem.

  Essa é a versão mais requintada do farol do 208, que apagado até lembra o farol da geração anterior — aceso é que mostra seu valor. A versão mais simples de duplo refletor também ficou com aparência muito boa.

  Esse é o detalhe mais inusitado do farol, que o deixa mais criativo. A engenharia e a manufatura devem ter tido um trabalhão para tudo funcionar e ficar bem feito como ficou, mas valeu a pena.

 

 

  Essa lanterna ficou excelente: chama muito a atenção por estar tão bem feita. Parece uma peça bem cara e superior às lanternas que os concorrentes usam. Dessa forma, é um detalhe que enriquece o estilo da traseira.

  Até nas funções de luz de ré e de direção, que usam tecnologia comum de lâmpadas e não de leds, ela aparenta ser algo a mais. Isso é muito bom.

  Um contorno bem inusitado, que a Peugeot chamou de forma de bumerangue: ficou muito bom e ainda com o capricho de ter toda uma borda vermelha, valorizando a área cristal de ré e direção. Está com um ótimo acabamento até nos detalhes.

 

 

  Mais um exemplo do 208 no qual se trabalhou um pouco mais o estilo de forma inteligente: o que poderia ser mais uma simples moldura se tornou um detalhe especial nessa versão de três portas, não oferecida no Brasil.

  Foi muito boa a ideia de diferenciar a lateral em relação à versão de cinco portas, já que tanto a porta quanto o painel lateral têm de ser exclusivos para cada versão. Parece até óbvio para fazer, mas é raro quem o faça. Acentuou o toque de esportividade, bom para essa versão.

 

 

  O vinco apontado acima tem uma conexão visual com o vinco inferior do para-choque — é só observar a semelhança entre eles. Assim há uma continuidade que contorna o carro, mas o vinco debaixo se torna desnecessário, já que há mais dois vincos logo acima.

  Tal qual acontece com o vinco inferior, há conexão visual com o da lateral, assim formando uma continuidade que também contorna o carro. Esse tipo de trabalho denota compromisso com a qualidade estética e da aparência.

Análise de Estilo anterior

 

O autor

Edilson Luiz Vicente é designer com mais de 20 anos de experiência na indústria automobilística, atuados em empresas de grande porte como Volkswagen, Ford e General Motors no Brasil, Isuzu no Japão e General Motors nos Estados Unidos. É um dos poucos de seu segmento com experiência também em projetos e engenharia. Também é professor no Istituto Europeo di Design em São Paulo. Mais informações.