Panamera: controverso, mas um Porsche de verdade

 

  A região inferior em preto é, em geral, usada para a sensação visual de alongar o modelo. A continuidade que existe do para-choque dianteiro ao contorno da traseira é uma forma de expressar um bom acabamento estético.

  Se praticamente todos os itens de estilo do 911 foram incorporados a esse modelo, é estranho que o contorno da janela fuja um pouco, apesar de interessante. A linha superior de contorno ficou algo achatada na região da coluna B.

  Em carros esportivos é normal essa região ser um pouco mais baixa que o para-lama. Não é o caso do Panamera, mas chega a dar essa sensação visual — e contribui para o visual intimidador, como um predador, no qual parece que o carro está se preparando para dar o bote.

 

 

  As tomadas de ar também foram transferidas do 911, exceto pela parte inferior em preto. Bonito ou não, o efeito dá aparência mais esportiva que no próprio 911, o que é um contrassenso, pois o Panamera é um modelo familiar.

  Até o corte do capô segue o jeito do 911. Apesar de ser um detalhe, faz diferença. Olhando o modelo assim, bem de frente, nem parece se tratar de um modelo familiar de cinco portas.

  Outro contrassenso: esses defletores acentuam a esportividade, mas foram usados nesse modelo familiar e não no 911.

 

 

  A lanterna tem contorno e parte interna muito bem feitos, mas segue a versão anterior à atual do 911, pois o Panamera foi desenhado antes.

  Tal qual a dianteira, a traseira é tão característica Porsche que nem parece se tratar de um modelo familiar de cinco portas. É no mínimo curioso observar o quanto foi mantido da identidade de estilo, mas não na localização do rebaixo da placa de licença.

  Saídas duplas de escapamento dos dois lados indicam um carro “bravo”. A parte central nessa faixa em preto sugere mais esportividade do que deveria, caindo também no contrassenso já citado em relação ao 911.

 

 

 

  No modelo 2014 os faróis tiveram o contorno melhorado em relação à versão anterior. Isso, somado ao trabalho interno adotado, deu-lhes ainda mais cara de Porsche.

  A abertura parece ter ficado maior, para um aspecto mais esportivo. A fila de leds para luz diurna dividida em duas partes já começa a fugir da identidade, mesmo tendo ficado interessante.

  O conjunto de aberturas ficou mais esportivo que na versão anterior. Tem mais a ver com as aberturas do Cayenne do que propriamente do 911.

 

 

  Apesar de ser mais um possível contrassenso — o Panamera tem, o 911 não —, é sempre agradável ver difusores de ar nos para-lamas.

  Na versão anterior havia continuidade em torno do carro com essa área em preto. Nesse caso, somente no para-choque traseiro, fica um tanto estranho: parece solução de carro barato.

  A placa de licença foi deslocada para baixo, o que fez o visual ficar mais limpo. O uso desse vinco delimitou a parte saliente do para-choque, deixando a aparência mais trivial, até norte-americana.

 

 

  No conceito Panamera Sport Turismo, do Salão de Paris de 2012, a dianteira ficou parecendo a de um Porsche que teve o estilo inspirado em um Ferrari. É atraente, mas não parece muito adequada à marca.

  Os faróis ganharam contorno mais retilíneo. A iluminação na tomada de ar também foge da identidade de estilo da Porsche. Se esse conceito se tornar um modelo de produção, será uma boa dose de ousadia da marca.

  Os dois vincos estão concorrendo um com o outro visualmente, o que polui a aparência. Não é normal a Porsche deixar as coisas assim.

 

 

  Um resultado pior do que acontece na lateral: os dois vincos chamam bastante a atenção, porque as duas superfícies logo acima deles pegam luz por igual. Um deles precisaria ser retirado.

  Há detalhes que saem de moda e depois voltam, como esse gráfico da lanterna de lado a lado, como uma única peça. Sempre foi interessante, pois alarga o modelo visualmente.

  Aí o Sport Turismo foge ao estilo da Porsche de uma vez, com esse trivial defletor e o contorno da janela traseira bem comum. No geral esse conceito ficou muito interessante, mas aparenta mais servir de base para um hatchback que para uma perua esportiva, ou shooting brake.

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O autor

Edilson Luiz Vicente é designer com mais de 20 anos de experiência na indústria automobilística, atuados em empresas de grande porte como Volkswagen, Ford e General Motors no Brasil, Isuzu no Japão e General Motors nos Estados Unidos. É um dos poucos de seu segmento com experiência também em projetos e engenharia. Também é professor no Istituto Europeo di Design em São Paulo. Mais informações.