Ford Fusion: quando formas substituem adornos

 

  No primeiro modelo do Fusion, lançado aqui em 2006, simplicidade total: superfícies limpas e vincos só o suficiente para agregar algum valor às formas. No conjunto, combinava com a proposta de estilo do modelo.

  Faróis verticais, na época, estavam começando a cair em desuso, mas ainda combinavam bem com o modelo. As molduras retangulares das funções eram o maior diferencial, quando todo mundo fazia elementos circulares.

  As três barras horizontais cromadas faziam parte da identidade de estilo da marca nos Estados Unidos naquele período. Eram interessantes, mas não faziam o modelo aparentar o luxo que deveria para nós.

 

 

  Em meio a tanta simplicidade, as lanternas traseiras chamavam a atenção, com sua moldura cromada e a luz de ré com a moldura retangular.

  A moldura cromada acima da placa de licença, feita da maneira mais trivial possível, chegava até a ficar perdida e sem sentido.

  Em um carro todo com formas mais “quadradas”, as ponteiras de escapamento pequenas e circulares ficavam fora de contexto.

 

 

 

  No modelo reestilizado, que recebemos em 2009, o vinco foi feito de uma maneira nada usual para dar estilo ao capô.

  Apesar do visual interessante, no geral aparentava que pegaram o estilo de um caminhão e adaptaram para um carro de passeio. A grade ficou um exagero, mas não a ponto de incomodar a maioria. Curioso foi que o contorno da grade inferior, após ter tomado maiores proporções nos modelos Ford, se transformaria no item principal de estilo da identidade da marca.

  Os faróis voltaram a ser horizontais e os faróis de neblina ficaram mais comuns do que na versão anterior. No geral, mesmo com certo exagero no estilo, essa frente aparentava mais esportiva e luxuosa que a de 2006.

 

 

  Em um modelo de aparência tão comportada, a região inferior do para-choque com esse detalhe imitando os difusores de carros de competição não fazia sentido.

  Se não bastasse a moldura não ficar tão bem aí, ainda colocaram junto a terceira luz de freio. O que aconteceu foi que, visualmente, todo esse conjunto que faz parte da placa de licença ficou posicionado demais para cima, prejudicando a estética da traseira.

  Se tudo foi trabalhado para deixar a dianteira com visual mais rico, nada foi feito na mesma proporção na traseira. O resultado foi uma aparência mais pobre, pois até as lanternas perderam apelo em relação à versão anterior.

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O autor

Edilson Luiz Vicente é designer com mais de 20 anos de experiência na indústria automobilística, atuados em empresas de grande porte como Volkswagen, Ford e General Motors no Brasil, Isuzu no Japão e General Motors nos Estados Unidos. É um dos poucos de seu segmento com experiência também em projetos e engenharia. Também é professor no Istituto Europeo di Design em São Paulo. Mais informações.