Ford Fusion: quando formas substituem adornos

 

  O detalhe que se forma saindo da coluna A e indo até a grade dianteira alonga o capô visualmente. Ao formar uma espécie de músculo, é o tipo de elemento que ajuda no apelo esportivo e valoriza o estilo.

  O contorno dessa peça, que simula uma abertura de ventilação, ficou muito bom. No entanto, para um carro com tal ar de novidade, a solução mais segura e acanhada de usar um farol de neblina oval e tão comum não fez muito sentido.

  Esse jogo de superfícies que “brincam” com sombras e luzes enriqueceu bastante o estilo frontal. Solução estética muito bem executada.

 

 

  Um detalhe que costuma passar despercebido, por ser uma simples moldura, mas nesse caso foi todo trabalhado de forma a fazer parte e contribuir com o estilo da traseira. Muito bom.

  Não é novidade usar esse recurso de vincos do porta-malas e para-choque formando um gráfico, contornando ou emoldurando as lanternas traseiras, mas ficou muito interessante.

  Por esse ângulo é possível ver bem a fluidez e suavidade das formas da coluna C e sua passagem para a traseira, com muito bom resultado. É o elemento que faz com que a silhueta do carro seja um pouco diferenciada em relação à concorrência. Mais um pouco e seria taxado de fastback e não um sedã. Tanto que o Mondeo de cinco portas (com tampa que inclui o vidro traseiro) dessa vez pôde manter o perfil do quatro-portas e do Fusion.

 

 

  Se o objetivo fosse um visual mais comportado, não seria necessário. Mas, dentro da proposta de ter toques de esportividade, esse ressalto no centro do capô também funciona como um músculo, servindo para induzir a pensar que o motor é dos bravos.

  A grade dianteira abaixo da linha dos faróis ou no máximo alinhada na altura, como é esse caso, em geral traz o melhor resultado. A solução de separar a abertura principal da inferior, evitando formar uma “boca” enorme, foi muito boa. Também agradam o contorno da grade superior e o trabalho executado com barras horizontais, que forma elementos visuais verticais alinhados com o vinco do capô. Um trabalho muito bem executado. Por último, mais um toque de esportividade na estreita abertura inferior.

  Percebe-se por essa vista o quanto as quinas foram chanfradas. Além do ganho em esportividade, diminui visualmente o comprimento da frente do carro, para um ar mais moderno.

 

 

 

  A linha de cintura é bem alta, como manda a onda atual. A moldura cromada contornando todas as janelas dá uma aparência mais requintada do que quando é usada apenas na linha inferior.

  O carro já tem elementos estéticos por toda parte. Assim, foi uma boa solução fazer um contorno simples para as janelas — e, vale comentar, muito bem feito.

  A onda do momento é ter a região inferior sem muita curvatura em direção ao centro do carro. Por conta disso, o carro sempre fica com uma aparência mais pesada, ao contrário do que afirmou o chefe de estilo desse projeto. Uma solução para aliviar isso seria ter a saia lateral em preto, como em alguns modelos.

 

 

A diretriz do chefe geral do estilo da Ford, J. Mays, é não fazer faróis muito grandes, que ele considera desnecessário. É fácil concordar com isso, dado o resultado obtido nesse modelo e na atual filosofia de estilo da marca. Contorno simples, adequado à proposta, e sem sobra de espaço interno para malabarismos estéticos, que nem sempre dão bom resultado ou agregam valor. O refletor elipsoidal contribui para o aspecto de tecnologia.

 

 

O mesmo que valeu para os faróis valeu para as lanternas. Apesar de usar o que de mais moderno há em tecnologia de sinalização, como leds e o contorno acendendo como neon, a aparência geral é bem simples: a beleza está no contorno e na ideia de usar o vermelho contornando o centro cristalino.

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