Ford Fusion: quando formas substituem adornos

 

Agora igual ao Mondeo, o sedã ganhou desenho mais
elaborado, que dispensa os exageros para chamar atenção

Texto: Edilson Luiz Vicente – Fotos: divulgação

 

A história do Ford Fusion tem laços com a do Mondeo, nosso velho conhecido em terras tupiniquins pela primeira e a segunda gerações. Um modelo com grandes qualidades, mas que não obteve muito sucesso — em especial o segundo, que enfrentava sério problema de preço em um período de dólar valorizado. A primeira geração teve sua versão para o mercado norte-americano, chamada de Contour, com algumas diferenças estéticas, mas aparentemente a matriz da Ford quis tomar as rédeas sobre o produto e nem tentou vender em seu mercado a segunda geração.

Após um hiato no segmento, ela lançava em 2005 o Fusion, com desenho bem distinto do que viria a ser o Mondeo da terceira geração, este com estética bastante interessante. Como o Fusion era fabricado no México e assim escapava do Imposto de Importação, a Ford decidiu passar a trazê-lo ao Brasil para o segmento do Mondeo. A parte curiosa da história foi a empresa ter resolvido seu problema e alcançado o sucesso na categoria ao trocar o estilo europeu por um com uma pitada norte-americana — logo no Brasil, mercado mais adepto do estilo europeu.

Agora, com a filosofia de a Ford ser única em todo o mundo, o Mondeo e o Fusion passam a ser versões do mesmo carro, voltando a ter características de desenho europeias. Isso deixa dois fatores à vista: um, que o mercado dos EUA está cada vez mais aberto ao estilo europeu; e dois, que o que importa mesmo é se o um carro alcança bom resultado estético — desse ponto em diante não há fronteiras.

 

Com mais qualidade de aparência, suas formas ganharam um apelo emocional que a versão antiga não proporcionava — no geral era um carro bonito, mas de uma simplicidade que precisava de adornos exagerados

 

Embora a terceira geração do Mondeo não seja muito conhecida dos brasileiros, uma rápida comparação indica que o novo Fusion constitui uma evolução do mesmo tema. Portanto, no mercado europeu o impacto do novo modelo — ainda a ser colocado à venda por lá — será menor que nos EUA ou mesmo no Brasil. Nomes à parte, o mesmo carro nasceu na década de 1990 com pequenas diferenças para atender aos gostos norte-americano e europeu, deu lugar a modelos bem diferentes nos anos 2000 e agora volta a ser o mesmo: é a dinâmica do mundo automotivo.

 

Cinco diretrizes

Na ocasião do lançamento nos EUA, o chefe de estilo no projeto do novo Fusion, Chris Hamilton, definiu bem o modelo. Segundo ele, a Ford buscou adicionar “apelo emocional a uma escolha já sensata”. E apontou as cinco diretrizes para a equipe de estilo: 1) inovação na silhueta, com um perfil elegante que o diferencia do tradicional três-volumes (quando capô, habitáculo e porta-malas são bem definidos); 2) percepção da eficiência, com linhas de caráter fluidas nas colunas traseiras que sugerem um carro ágil e leve; 3) linguagem de superfície refinada, ou seja, um desenho de bom gosto e bem executado que não exige recursos estéticos extras ou visual desordenado; 4) gráficos técnicos, ou elementos funcionais de estilo, tais como faróis e lanternas traseiras de leds, que comunicam capacidade tecnológica; e 5) nova identidade, para demonstrar a evolução na linguagem de estilo da Ford mundial para carros pequenos e médios.

 

 

Hamilton resumiu bem. À parte a impossibilidade de a silhueta ser tão inovadora, o Fusion/Mondeo realmente ficou muito elegante. E ele aparenta mesmo ser uma novidade: basta ver como o Fusion anterior ficou velho perto dele. Com mais qualidade de aparência, suas formas realmente ganharam um apelo emocional que a versão antiga não proporcionava — no geral era um carro bonito, mas de uma simplicidade quase monótona, que precisava de adornos exagerados para chamar atenção. Como bônus, ele tem agora uma aparência muito mais dinâmica e esportiva.

As proporções do novo carro estão impecáveis: não há nada grande ou pequeno demais ou mesmo fora de lugar. E, de fato, um desenho de bom gosto e bem executado não necessita de recursos estéticos extras nem deixa o visual desordenado — que isso sirva de exemplo para várias empresas. Outro aspecto positivo do novo Fusion é possuir uma aparência jovial, em vez do perfil conservador do modelo antigo — aquela cara de “carro de tiozão”, como se diz na forma popular.

Levando em consideração sua proposta um tanto ousada de concorrer até com modelos de entrada da Mercedes-Benz e da BMW, tudo o que foi comentado sugere que o Fusion agora tem qualidades para isso. Mesmo que o chefe de estilo da Ford J. Mays continue a negar, parece unânime que esse modelo lembra o Aston Martin Rapide. Seja proposital ou coincidência, o fato de remeter a um dos carros mais bonitos da atualidade é ou não muito bom?

 

 

  Não é apenas uma quina: essa curvatura adiciona um pouco mais de estilo, que é justamente a proposta do carro. Na lateral traseira ela concorre um pouco visualmente com o vinco da linha de cintura logo abaixo, mas ficou bem.

  Esse vinco é o principal detalhe da lateral, e por isso o mais bem marcado, para chamar a atenção. Como o próprio nome diz, é a linha de caráter, que entre outras coisas ajuda a alongar o carro visualmente.

  Segundo detalhe importante da lateral, com a famosa superfície “pegadora de luz”. Menos marcada para chamar menos a atenção, mas tão importante quanto a linha de caráter. Ficou interessante assim, inclinada em direção à traseira.

 

 

  O detalhe tem a função de preencher essa área, para que não fique muito grande e vazia, e ainda formar continuidade com o vinco da lateral. Não chega a ser necessário, por haver detalhes logo abaixo e acima, mas foi feito discreto o bastante para ajudar no visual sem provocar uma poluição estética.

  Esse modelo tem toques de esportividade e a solução dada foi a mais adequada: uma área em preto emoldura os refletores e as ponteiras de escapamento, em vez daquelas tradicionais imitações de difusores de ar de carros de competição. O resultado foi uma ótima aparência, combinando muito bem com o estilo do modelo.

  Pequenos recursos estéticos que fazem uma grande diferença: uma suave superfície que “pega luz” emoldura a área em preto, e logo abaixo mais uma, bem estreita, mas o suficiente para dar um toque a mais de estilo.

Próxima parte