Citroën DS5: um desenho para fugir aos padrões

 

 

  Essa parte fechada na grade é para cobrir a barra transversal que é o verdadeiro para-choque. Quando se somam a abertura inferior (na qual as telas chamam a atenção), o logotipo do duplo chevron, o emblema da linha DS e os elementos apontados acima, o resultado é uma verdadeira poluição visual.

  Esse “músculo” central do capô foi muito bem trabalhado, com suas nervuras nas bordas.

  Foi feita uma “quebra” na superfície para parecer que são duas partes distintas; assim, ficou parecendo um defletor aplicado à dianteira. Muito interessante.

 

 

  O contorno do farol é muito bonito e o trabalho estético feito internamente, incluindo faixas de leds para luz diurna, ficou impecável. É um belo par de faróis, embora um pouco grandes demais.

  A Citroën apelidou essa moldura de sabre, e parece mesmo, além de ser um detalhe que foge do trivial. Ficou um pouco arbitrária sua colocação: não tem um propósito bem definido, o que leva à dúvida se deveria estar aí ou não.

 

 

  A frente é bem alta, grande e com detalhes amplos como os faróis. Com o teto e a traseira baixos, o visual ficou sem o devido equilíbrio. Aqui, parte da culpa é da legislação europeia de proteção a pedestres, que requer certo vão livre entre o capô e os componentes do motor.

  O teto baixo e a linha de cintura bem alta são muito interessantes, os itens que mais colaboram com a aparência esportiva. As molduras das portas, grandes e chamativas, quebram bem a sensação de haver muito aço e pouco vidro.

  O fim do teto chega a ser baixo demais: é possível notar o desequilíbrio quando se compara com o tamanho da lanterna e do para-choque.

 

 

 

  O carro-conceito C-SportLounge: uma só grade tem mais a ver com as características estéticas da linha DS. É provável que a necessidade de ventilação tenha levado a duas grades no modelo de produção. O uso de apenas um logotipo (já que ainda não havia a divisão DS) também deixa a frente menos poluída.

  Solução mais trivial, mas proporciona um visual mais limpo. O curioso é que normalmente é o contrário: nas versões de conceito é que se abusa mais, por não levar em consideração todos os requisitos necessários para produção em massa.

  Curioso como o farol mais simples e o espelho retrovisor discretamente posicionado na janela fizeram essa moldura ficar interessante e bem integrada ao visual, justificando melhor sua aplicação que no DS5.

  Uma das coisas que mais mudaram para a versão de produção. A linha de cintura simples e trivial também contribui para aquela moldura, o sabre, acima do para-lama ficar mais integrada ao visual.

 

 

  Bonito e interessante o visual da moldura dentro dessa cavidade. Infelizmente essa solução estética não é viável para produção. Da forma como foi feita, dispensou totalmente a quase sempre obrigatória superfície “pegadora de luz”.

  Muito interessante a porta traseira desse carro conceitual ser do tipo suicida, com abertura inversa ao usual, e sem maçaneta aparente. Pena que na versão de produção optou-se pela porta de abertura comum.

  Outro detalhe que mudou para a versão de série: o contorno da janela era mais interessante e moderno no conceito. Note que o arco do teto, cuja solução estética é diferente do usual, permaneceu.

  Típico de um modelo conceitual, já que não é necessário respeitar todas as normas e convenções. Mas exagerou um bocado: a janela traseira ficou ridiculamente pequena. Já as lanternas estão mais bem proporcionadas do que na versão de produção e o para-choque, embora fosse muito comum para um carro-conceito, estava bem integrado ao desenho como um todo.

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O autor

Edilson Luiz Vicente é designer com mais de 20 anos de experiência na indústria automobilística, atuados em empresas de grande porte como Volkswagen, Ford e General Motors no Brasil, Isuzu no Japão e General Motors nos Estados Unidos. É um dos poucos de seu segmento com experiência também em projetos e engenharia. Também é professor no Istituto Europeo di Design em São Paulo. Mais informações.