Hyundai HB20: boa filosofia em nova aplicação

 

  Esse vinco delimita uma superfície que recebe luz e assim acentua a linha de cintura, que é também chamada de linha de caráter da lateral. A foto retocada pela fábrica não representa o bom trabalho feito com os dois vincos: à medida em que o vinco acima (que vai até a lanterna) fica mais marcado, este vai ficando mais suave. Assim não polui o visual, pois um não concorre com o outro.

  Em regra, espelhos retrovisores passam despercebidos, mas alguns chamam atenção como esse, que ficou muito bom: tem até um toque esportivo e retrô.

  A famosa superfície “pegadora de luz”, presente em praticamente todos os carros, recebeu um tratamento interessante pelo contorno formado pelos vincos.

  Esse é o detalhe mais diferenciado da lateral, algo que não se vê em outros modelos. Ficou inteligentemente discreto.

 

 

  Não se veem muitos carros com as quinas tão marcadas justamente por isso: visto por alguns ângulos esse vinco parece interessante; por outros não. E não combina bem com o restante do carro.

  A janela traseira ficou interessante, bem estreita. Seu contorno serve como recurso de estilo e combina com a traseira. Esse tipo de contorno tem sido usado em muitos modelos atuais.

  O recurso de fazer uma pequena dobra na parte debaixo da tampa marcado por um vinco é sempre interessante. Nesse caso até parece não combinar muito bem com a traseira, mas se não estivesse aí ficaria um visual limpo demais, parecendo faltar alguma coisa.

  O vinco que acompanha a linha inferior do contorno da janela, contorna a traseira e vai para as laterais ficou elegante. Essa superfície formando uma sombra deixa a traseira ainda mais interessante.

 

 

  Favoreceu o estilo ser possível fazer partes separadas nesse local. Quando o para-choque tem de ser uma peça única, não se podem deixar áreas como essa sem pintura, por causa do custo adicional, e o resultado é uma perda na aparência. Note que o farol de neblina é bem comum: o charme fica por conta do contorno e da forma da moldura.

  O vinco se desfaz quando chega perto da moldura do farol de neblina: detalhe sutil, mas que ajuda a não poluir o visual.

  Molduras largas nas caixas de rodas e marcadas por vincos são um recurso estético bem atual e, em geral, bem-vindo, pois ajuda na estética geral, sem chamar a atenção pra isso.

 

 

 

  As janelas têm o perfil baixo e o contorno bem simples, que lembra até o contorno do primo Kia Picanto. Por mais que o pessoal do estilo tenha vontade de fazer algo diferenciado, às vezes a simplicidade é uma boa pedida, como nesse caso, pois o carro todo já tem detalhes diferenciados da concorrência o suficiente.

  Esse jeito dos asiáticos de fazer as molduras das janelas das portas talvez seja um pouco mais caro do que o modo ocidental, mas o resultado também é melhor — desde que esteja pintado em preto, como nesse caso. Em caso contrário, a aparência não fica boa.

  Faltaram fotos oficiais do HB20 visto de lado para poder mostrar melhor, mas se pode observar que a inclinação do vidro traseiro é muito boa, assim como a inclinação da coluna e da janela.

 

 

  Em termos tecnológicos, o modelo usa o que existe de mais comum em faróis; a boa aparência é por conta do contorno bem feito e dos detalhes internos.

  O coração da estética do farol é essa moldura, que faz toda a graça ao desenho, separando o refletor principal da luz de direção com curvas suaves e bem feitas. Chama a atenção para si de forma positiva, o que nos faz esquecer que o farol é bem comum. A moldura pode vir em prata ou preto, conforme a versão.

  Uma área morta no farol por conta de sua estética alongada: foi feito um pequeno e discreto trabalho, suficiente para não parecer liso demais ou que falte alguma coisa.

 

 

  Assim como acontece aos faróis, as lanternas são comuns, mas mesmo assim têm boa aparência.

  Essa parte debaixo ficou bem “bicuda” e chama a atenção para isso. Como a lanterna como um todo já tem mais dois “bicos”, não está o ideal.

  Como citado no texto, as duas partes das lanternas permitiram um tema horizontal e um contorno que tem tudo a ver com o carro: é o ponto mais alto do estilo da traseira.

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O autor

Edilson Luiz Vicente é designer com 22 anos de experiência na indústria automobilística, atuados em empresas de grande porte como Volkswagen, Ford e General Motors no Brasil, Isuzu no Japão e General Motors nos Estados Unidos. É um dos poucos de seu segmento com experiência também em projetos e engenharia. Também é professor no Istituto Europeo di Design em São Paulo. Mais informações.