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O
francês Sebastien Löeb segue, por enquanto, com chances de bater seu
próprio recorde de vitórias numa temporada — 11, alcançadas no ano passado. Mesmo que pareça humanamente impossível vencer todas
as 12 etapas do Campeonato Mundial de Rali da FIA (Federação
Internacional do Automóvel), o WRC, parece que o pentacampeão mundial é
capaz de alcançar tal proeza.
Neste fim-de-semana, Löeb deu mais um passo rumo à concretização dessa
meta: venceu o Rali de Portugal, quarta etapa do Mundial. A prova é
disputada na região montanhosa do Algarve, ao sul do país, em estradas sinuosas que, cobertas de cascalho e areia fina, levantam grandes nuvens
de poeira. Pela falta de ventos na região, essas nuvens de poeira se
concentram e acabam por atrapalhar a visibilidade dos pilotos.
A etapa lusitana do WRC não se passou sem grandes novidades. Houve
retornos importantes que marcaram a etapa e chamaram a atenção dos fãs
da categoria. O mais comentado foi o do bicampeão mundial Marcus
Grönholm, depois de um ano e meio de inatividade. O finlandês voltou
pilotando um Subaru Impreza da Prodrive, que se inscreveu em uma etapa
do mundial depois da decisão da Subaru de deixar a categoria, em
dezembro.
Löeb começou mal o rali. Logo na primeira bifurcação do primeiro estágio
da sexta-feira, cometeu um erro e saiu da pista. A correção e a volta
para o trecho de competição levaram 25 segundos, o que obrigou que o
francês empreendesse uma prova de recuperação nos dias seguintes. Por
sorte, seu Citroën C4 não sofreu nenhum dano, o que permitiu que o
pentacampeão atacasse para se recuperar na prova. No primeiro dia, o
forte ritmo empreendido pelos líderes — seu companheiro de equipe Dani
Sordo, Grönholm e a dupla da BP-Ford, Jari-Matti Latvala e Mikko
Hirvonen — impediu que o francês se aproximasse na classificação.
Contudo, já na manhã do sábado, Löeb apareceu na liderança ao se
aproveitar dos erros de seus concorrentes.
Depois, foi só o pentacampeão manter o forte ritmo de prova para
assegurar a liderança do rali. Os adversários nutriam algumas esperanças
de evitar que Löeb vencesse mais uma prova, como ao colocar o francês na
incômoda posição de limpa-trilhos. Mas essa posição, que normalmente só
traz desvantagens para os pilotos que a ocupam, acabou por se mostrar
benéfica: a poeira formada pela passagem dos carros pelas estradas
levantava uma densa nuvem, que prejudicava a visibilidade dos pilotos
que vinham na sequência, deixando o primeiro em condição favorável.
Como vinha dando tudo certo para o francês, Hirvonen já se mostrava
desanimado e parecia pretenso a jogar a toalha. “Não
há como arriscar tudo e acelerar a fundo sem que se possa ver nada. Não
há muito o que possamos fazer. Faltam três estágios para o fim, mas
parece que vamos brigar para garantir o segundo”, dizia um decepcionado Hirvonen no intervalo do almoço de domingo.
Sem ser ameaçado pelo finlandês na tarde daquele dia, Löeb garantiu a
51ª vitória de sua carreira. Agora também no cascalho — território
nativo de Hirvonen, onde se esperava que o finlandês tivesse mais ação e
conseguisse evitar o domínio do francês. Como não é o que está
acontecendo, fica a impressão de que resta saber quando Löeb
confirmará o hexacampeonato, e não mais se conquistará o título.
Continua
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