Como no Velho Oeste

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Em um duelo na Grã-Bretanha para decidir o título, Löeb leva a
melhor, vence Hirvonen e torna-se hexacampeão mundial de rali

Texto: Marcio Kohara - Fotos: divulgação

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Frente a frente, os dois duelistas se encaram pela última vez. Um "silêncio ensurdecedor" toma o cenário de tensão, enquanto o mundo parece parar para observar o confronto entre os dois gigantes. O primeiro que vacilar sai derrotado. E, se ninguém vacilar, o vencedor será o que for mais rápido no gatilho.

Um duelo entre dois pistoleiros no Velho Oeste? Não exatamente. Mas o clima entre os envolvidos na disputa pelo título até lembrava os duelos que outrora reuniam pistoleiros. Claro que o cenário não poderia ser mais diverso: as enlameadas estradas que circundam a chuvosa Cardiff, capital do País de Gales, e serviram como palco do confronto final entre Mikko Hirvonen e Sebastien Löeb. O tradicional do Rali da Grã-Bretanha, 12ª e última etapa da temporada 2009 do Campeonato Mundial de Rali (WRC), recebeu um encerramento de campeonato decisivo como há muito tempo não acontecia.

Hirvonen e Löeb chegaram a Cardiff para a última etapa do campeonato separados por apenas um ponto de diferença — 84 a 83 em favor do finlandês. Era uma situação em que qualquer um que chegasse à frente do adversário se sagraria campeão, pois, se houvesse empate em pontos, o francês levaria o título por ter mais vitórias na temporada. Para um campeonato que parecia definido já na metade — momento em que Löeb vinha de cinco vitórias nas primeiras etapas —, um fim como este não deixa de ser uma agradável surpresa. O fato é que o francês cometeu erros seguidos na segunda metade do campeonato e permitiu o avanço do rival. Hirvonen se aproveitou e chegou a abrir cinco pontos depois de vencer quatro vezes consecutivas. Contudo, a dobradinha da Citroën no Rali da Catalunha praticamente anulou a vantagem do piloto da Ford.

O Rali da Grã-Bretanha esteve sob grande risco de não acontecer neste ano. O governo de Gales, tradicional patrocinador da prova, alegou falta de recursos e cancelou o apoio financeiro em meados do ano, o que complicou a organização da prova. Mas a realização do rali foi garantida para este ano e o governo fez novo acordo com a organização para as próximas edições. A principal novidade da semana, no mundo do rali, foi a aprovação das mudanças no regulamento por parte do Conselho Mundial da FIA.

As alterações garantem maior liberdade para os organizadores escolherem detalhes como a distância e a duração dos trechos cronometrados, sem distância mínima ou máxima para cada especial, e não há mais obrigatoriedade de que apenas uma superfície seja utilizada nestes trechos — antes tudo isso era regulamentado de forma rígida. Também abre a possibilidade da volta das especiais disputadas à noite, um charme do antigo rali que acabou devido às novas normas de segurança. Com isso, a FIA tenta revitalizar o WRC, arrasado pelas mudanças promovidas, de forma política, por Max Mosley. E, preocupada com o crescimento do IRC, o International Rally Challenge, decidiu atender aos clamores dos organizadores, que andavam insatisfeitos com a dificuldade de criar um evento com a chancela do WRC. Isso não será suficiente para, por exemplo, a volta de Monte Carlo como abertura do calendário de 2010, mas abre a possibilidade de que a federação monegasca retorne ao calendário do WRC no futuro — o que parecia improvável com as regras anteriores.

Outra boa notícia foi a eleição de Jean Todt para a presidência da FIA. Se o concorrente Ari Vatanen era um nome intrinsecamente ligado ao movimento do rali, Todt deve ao WRC seu surgimento no cenário mundial do automobilismo — foi como navegador de rali que o francês ganhou fama. Se a impressão inicial é que uma eventual gestão Todt seguirá as políticas de seu antecessor, a esperança do setor é que pelo menos o WRC não seja tratado com a indiferença que marcou a gestão anterior, o que culminou na visível decadência da categoria.

Na pista, o Rali da Grã-Bretanha acabou sendo, mais uma vez, o da consagração de Löeb — que, considerado-se os resultados da temporada, mereceu mais do que qualquer outro piloto o título mundial. Afinal, foram sete vitórias em 12 etapas do campeonato, o que não é para qualquer um. Claro que a constância e a evolução de Hirvonen devem ser louvadas, pois foram os fatores que levaram o finlandês a engrossar uma disputa que parecia finalizada. Continua

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Data de publicação: 27/10/09

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