Novos tempos em Le Mans

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O trio Brabham/Gene/Wurz leva o Peugeot 908 à vitória na prova de
24 horas e quebra a hegemonia de cinco anos consecutivos da Audi

Texto: Marcio Kohara - Fotos: divulgação

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O Peugeot de Brabham, Gene e Wurz quebrou longa hegemonia da Audi

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Outro 908 HDi FAP, de Bourdais, Montagny e Sarrazin, foi segundo; o carro de nº 7 de Klien, Lamy e Minassian (fotos) chegou em sexto lugar

Alemães e franceses têm um longo histórico de rivalidade entre si. Não poderia ser diferente no automobilismo. E, mais uma vez, o circuito de La Sarthe foi palco de mais uma batalha épica entre gauleses e teutônicos na disputa da 77ª edição da 24 Horas de Le Mans. Colocaram-se frente a frente Audi e Peugeot, na disputa pela vitória na principal divisão do clássico do automobilismo mundial, e o resultado foi surpreendente.

De um lado estavam os detentores da coroa, os alemães, estreando um equipamento com esperanças de manter a posse do troféu: o R15 TDi, herdeiro de uma linhagem nobre de R8 e R10 que dominaram Le Mans na última década. O R15 trazia um desenho inusitado, com bico mais alto e largo, e motor ainda movido a diesel, mas agora V10 — os R10 tinham motores V12. Eram credenciais que prometiam fazer com que os carros prateados do fabricante de Ingolstadt mantivessem a primazia. Do outro, os franceses apresentaram o 908 HDi FAP, evolução do modelo 2008 que já havia ameaçado os alemães. Como apresentara desempenho satisfatório na edição anterior da prova, o carro apenas recebeu evoluções, sem que sofresse mudança radical. Assim, manteve a arquitetura tradicional com capota, de traços delicados, que os caracteriza desde sua estreia há três anos.

Devido à crise mundial a Audi não disputou os eventos preparatórios para Le Mans, tirando sua equipe oficial de cena tanto da Le Mans Series quanto da American Le Mans Series. E, com isso, fez com que todas as atenções se voltassem para a principal prova da temporada, já que seria uma das duas oportunidades do ano para ver o embate que tem dominado a classe principal de protótipos, a LM P1. O único desafio anterior entre eles ocorreu em março na 12 Horas de Sebring, nos Estados Unidos. Neste evento foram os alemães que se deram bem, com o trio vencedor da edição do ano passado da 24 Horas de Le Mans (Tom Kristensen, Rinaldo Capello e Allan McNish) superando os franceses.

Contudo, a vitória em território norte-americano não foi uma tendência que se confirmasse na grande prova francesa. Em La Sarthe, quem mostrou força e riu por último foi a Peugeot, que marcou a pole position e dominou de forma ampla a corrida, ocupando os dois lugares mais altos do pódio. Curiosamente, foi o inverso do que acontecera na temporada passada, quando os franceses dominaram as provas de preparação para Le Mans, mas acabaram capitulando na disputa principal.

O carro vencedor de Le Mans foi o 908 de número 9, pilotado pelo australiano David Brabham (filho do tricampeão mundial de Fórmula 1 Jack Brabham), o austríaco Alexander Wurz e o espanhol Marc Gene, que teve a honra de cruzar a linha de chegada ao volante do Peugeot e receber a bandeirada final. Era o fim de uma espera de 16 anos para a marca do leão, que voltava a reinar em solo pátrio depois do bicampeonato alcançado em 1992 e 1993. Mais que isso, era o fim de uma sequência de duas derrotas dolorosas que havia começado em 2007, na estreia do projeto 908 em Le Mans.

Foram derrotas em momentos em que os franceses acreditavam ter um carro mais veloz que os dos adversários. Conquistaram as poles em 2007 e 2008, mas, durante a longa jornada da competição, de alguma forma sucumbiram, deixando a vitória para os alemães. Foi assim sobretudo em 2008, quando tinham um carro superior até em ritmo de corrida. Só que veio a chuva, que atrapalhou os mais Peugeots, com capotas fechadas e vidros escurecidos, pois surgia à noite um problema de visibilidade inexistente nos concorrentes. Por isso, os alemães abriram vantagem no decorrer da noite e chegaram ao final da prova à frente.

Neste ano, a impressão era de que a Audi conseguiria fazer com que a gangorra novamente pendesse para seu lado com os novos R15, que, graças às preliminares, chegaram impressionando e causando temor na concorrência. Tanto que, na semana que antecedeu a disputa da prova, houve uma polêmica quanto à legalidade de uma peça no bico do R15, que seria usada apenas como asa, indo contra o regulamento da ACO — Automobile Club de l'Ouest, organizadora da prova. A Peugeot apresentou um protesto, não acatado pela organizadora, que validou a peça. Continua

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Data de publicação: 16/6/09

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