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O bi histórico
de Helinho


O brasileiro vence pela segunda vez consecutiva a 500 Milhas de Indianápolis, o que não ocorria desde 1971

por Fulvio Oriola - Fotos: divulgação

Domingo, dia 26, Helio Castroneves não só venceu a famosa 500 Milhas de Indianápolis, nos Estados Unidos, como também entrou para a história do automobilismo mundial. Foi sua segunda vitória na corrida, no primeiro bicampeonato em anos consecutivos desde 1970/71, quando Al Unser venceu duas vezes a Indy 500. E mais: foi a primeira vez na história em que um piloto venceu em todas as vezes que participou.

Pela primeira vez, um piloto vence nas duas únicas edições de que participou. O Brasil agora tem quatro vitórias na Indy 500, perdendo apenas para os próprios EUA

Além disso, Helinho projetou o Brasil para o segundo lugar em número de vitórias na Indy 500, com quatro vitórias (duas de Castroneves e duas de Émerson Fittipaldi, em 1989 e 1993), perdendo apenas para os EUA. Helinho e Émerson são ainda os dois únicos estrangeiros a vencer a prova mais de uma vez. Foi também a segunda vitória de Helio este ano na IRL, em cinco provas -- único brasileiro a vencer na categoria este ano.

História à parte, o piloto da Penske teve uma boa dose de sorte. Dentre os participantes, praticamente não havia favorito: seria mais fácil apostar nos que não teriam chance de vencer do que ao contrário. Como já dissemos, largar na frente não significa muito numa corrida tão longa e cheia de bandeiras amarelas como Indianápolis costuma ser. Foram ao todo três horas de prova, com cinco bandeiras amarelas que paralisaram a corrida por 35 voltas. Assim, mais do que ter um bom carro, o que vale foi ter uma boa estratégia e contar com a sorte.

Indianápolis ao fundo, vista a partir do autódromo. A prova 500 Milhas é uma das mais famosas do automobilismo mundial

O brasileiro Bruno Junqueira, por exemplo, era o pole-position. Liderou 33 voltas, mas após seu pit-stop teve problemas no motor, que estourou e tirou não só ele da corrida: Tony Kannan passou sobre o óleo deixado na pista pelo carro de Bruno, rodou e bateu no muro -- justamente enquanto liderava a corrida. Felipe Giaffone, outro brasileiro que havia se classificado bem no grid (largou em quarto), terminou a prova em terceiro, logo atrás de Helinho e do segundo colocado, o canadense Paul Tracy. Logo atrás mesmo: Tracy chegou a apenas 0s037 de Helinho, e Giaffone, a 0s128.

Helinho assumiu a liderança na 177a. volta. Como havia feito sua última parada para troca de pneus e reabastecimento na 158a., teve de economizar combustível até o final, para não ser obrigado a fazer um splash-and-go como fizeram outros pilotos. Para se ter uma idéia, Helinho completou a prova tendo feito apenas cinco pit-stops, contra seis a oito da maioria dos pilotos que completaram a corrida. Nas últimas voltas, no entanto, por estar andando com a mistura muito pobre (muito ar, pouco combustível) visando à economia, Tracy e Giaffone se aproximaram muito.

O canadense Paul Tracy foi segundo, por uma diferença de apenas 37 milésimos de segundo para Helinho

Mesmo que fizesse um traçado defensivo, seria difícil Helinho segurar Tracy na última volta, pela falta de combustível. Ele teria de arriscar enriquecer a mistura de dentro do cockpit para ganhar mais velocidade e, talvez, ficar sem combustível ao final. Mas não foi necessário: na 198a. volta das 200 da prova, um acidente entre Laurent Redon e Buddy Lazier causou a última bandeira amarela -- e a estratégia de Helinho funcionou. O "homem-aranha" recebeu a bandeira quadriculada na frente de Tracy, para escalar as grades de Indianápolis e ter seu rosto gravado no troféu pela segunda vez. Continua

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Data de publicação deste artigo: 28/5/02

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