
1) A grade principal,
que marca a identidade visual, é a que deveria chamar a
atenção a nosso olhar. Como essa abertura é um tanto grande,
concorre com ela. Pode-se notar que no Cruze e no Captiva
ela é pequena.
2) Solução estética interessante, contornando os faróis de
neblina e ao mesmo tempo sendo o detalhe da lateral sua
continuidade. Está esculpida de forma bem marcada, ficando
com aparência um tanto tradicional.
3) A moldura da caixa de roda bem marcada dá, em geral, um
toque de bom acabamento e é atual. Poderia até ser levemente
maior.
4) A famosa superfície "pegadora de luz", presente em quase
tudo quanto é modelo, é complementada pela fina superfície
acima, que forma uma sombra para ser a continuidade descrita
no item 2. Adicionar uma moldura de proteção às portas vai
poluir o visual.

1) Um tanto antiquada
essa solução de fazer a curva para cima. E ainda parece
estar amassado, em vez de parecer um detalhe estético.
2) Esse vinco é diferente do usual, sem chamar a atenção
para isso. Dá certa personalidade à lateral do carro sem
exagerar na dose.
3) Esteticamente, o ziguezague dessa linha de corte não é
conveniente: chama a atenção de forma negativa quando não
deveria sequer ser percebido.
4) O detalhe começar na dianteira e ter continuidade na
lateral é normal; já continuar também na traseira, nem
tanto. Até que deu um efeito interessante. |
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Chegou a vez de colocar o recém-lançado
Chevrolet Cobalt
em nossa Análise de Estilo. Antes dela, porém, julgamos oportuno
fazer duas considerações a respeito de estilo, na tentativa de
entendermos por que algumas coisas causam tanta controvérsia.
O estilo de um produto trafega em um mundo de subjetividade, que é o que
se passa em nosso íntimo: como vemos, sentimos e pensamos sobre algo,
sempre influenciados pela cultura, educação, religião e as experiências
adquiridas. Tal subjetividade faz o desenho de um produto ser efêmero,
pois os fatores de influência estão em constante mudança. Assim, de
tempos em tempos surgem novas tendências e exigências de estilo.
O segundo ponto a se considerar é, na opinião do autor, um aspecto-chave
na aceitação ou rejeição do estilo de qualquer produto: são as
proporções, sempre comentadas em nossas análises. Para entender o que
significa proporção, um pouco de história.
Assim como muitas invenções do homem foram inspiradas na natureza, desde
a antiguidade se observou que na indiscutível beleza das criações
divinas quase tudo seguia um padrão geométrico. Os gregos até chegaram a
um cálculo matemático para determiná-la e assim fazer seu uso, o que
ficou conhecido como proporção áurea — esse é o nome para quem quiser
pesquisar e se aprofundar no assunto.
A proporção áurea é a mais harmônica à percepção visual humana, tão
presente na natureza que se fez uso na arquitetura, na arte e no estilo
— de uma concha ao corpo humano, das pirâmides do Egito à catedral de
Notre Dame, das esculturas de Michelangelo às pinturas de Leonardo Da
Vinci, do espremedor de laranjas de Philippe Starck ao Ipod.
Dessas considerações concluímos que o estilo de qualquer produto —
incluindo, claro, um automóvel — pode ser concebido seguindo esse padrão
geométrico. Graças à subjetividade que envolve esse ramo da indústria,
muitos profissionais podem desconhecer o assunto, mas buscá-lo de
maneira intuitiva. A proporção áurea não é obrigatória. Contudo, é comum
que, sendo ela ignorada, por intenção ou não, surjam polêmicas a
respeito do produto. No caso de um automóvel, o estilo não é o único
fator na decisão de compra de um modelo, mas é um item sobre o qual as
pessoas se dispõem a acaloradas discussões.
Esclarecido um pouco sobre estilo e proporções, vamos à análise do
Cobalt. O novo modelo da General Motors tem qualidades, mas algumas
soluções de estilo, de forma negativa, estão se destacando mais do que
tais atributos. De modo geral, seu desenho tem sofrido fortes críticas,
a ponto de parecer que o carro todo tem problemas de estilo.

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