Heranças do DNA romeno

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Embora siga bem a cartilha de como desenhar um utilitário esporte, o
Renault Duster poderia ficar mais atraente se não fosse um Dacia

Texto: Edilson Luiz Vicente - Fotos: divulgação

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1) O porte do Duster é bem imponente. Esse detalhe, tendo ficado tão fino, não combina com a aparência de proteção que deveria sugerir.

2) De qualquer ângulo que se olhe a grade, parece que está torta e amassada, além de não combinar com o desenho do carro. Péssima escolha.

3) Os faróis têm altura levemente exagerada. Mesmo que tenha sido por necessidade técnica, chama a atenção para pensarmos que alguma coisa na frente não está certa.

4) Esse vinco faz uma função estética interessante: não deixa o para-lama parecer enorme e inflado demais, ao mesmo tempo em que forma uma larga moldura para os faróis e a grade. Deixa o visual robusto e alarga o carro visualmente.

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1) O detalhe tem exatamente a mesma função do vinco dianteiro que emoldura os faróis. Vincos bem marcados nas extremidades alargam visualmente o carro, e nesse caso ainda faz a traseira ter a mesma linguagem da dianteira.

2) As lanternas traseiras têm o visual remetido a algum modelo mais antigo, até mesmo pelas luzes de direção circulares, que não combinam com a traseira. O uso da lente rosada para a luz de ré não foi uma boa escolha. Querer combinar um detalhe da carroceria como continuidade de uma superfície com transparência é um tanto complicado, pois fica difícil enxergar essa intenção.

3) A moldura está bem exagerada, chegando a ocupar quase a metade da área do rebaixo da placa. Não havia necessidade, pois a traseira está abarrotada de detalhes: além dos vincos apontados, tem muitas letras e mais pormenores no para-choque, o que forma uma poluição visual.

4) Para combinar com a dianteira e seguindo a mesma linguagem, uma parte pintada na cor prata simula um protetor metálico, bem de acordo com a cartilha de como fazer um utilitário esporte.

A fábrica romena Dacia, que atualmente pertence ao grupo Renault-Nissan, tem colhido bons frutos em sua estratégia de atender a mercados emergentes e, como um bônus, tem tido boas vendas até em países mais avançados e de mercados exigentes como Alemanha, França, Itália e Espanha. Sabemos que o sucesso de um modelo está relacionado a uma série de fatores e, no caso dos automóveis Dacia, o êxito se deve a serem carros confiáveis e os mais baratos da Europa atualmente.

Os estilos de seus modelos são bastante modestos. Se por um lado não são muito atraentes, por outro lado não há grande exigência para tal, pois atuam em um segmento com pouca concorrência direta — formam um nicho específico dentro do mercado europeu. E de fato existe uma parcela grande de consumidores em qualquer mercado que não dá importância a estilo: para esse tipo de comprador, que não pode ou não quer se dar a tal luxo, os modelos da Dacia cumprem seu papel.

Esse é o panorama na Europa, mas por que falamos nele se a Dacia não atua por aqui? O motivo é que três de seus modelos — Logan, Sandero e agora o utilitário esporte Duster — são vendidos no Brasil como Renault. E aqui a situação é diferente: não são os carros mais baratos do mercado ou de suas categorias, possuem estilo modesto e a marca não tem a mesma força e imagem de, por exemplo, uma Fiat ou Volkswagen.

Isso nos leva a uma conclusão: sem o atrativo do preço baixo tal qual acontece na Europa, o desempenho nas vendas certamente seria melhor no Brasil se o estilo dos modelos da Renault, originários da Dacia, caísse nas graças do grande público. Mas para isso a matriz na França precisaria mudar algo de sua visão em relação ao que acha ideal para os mercados emergentes, que não se comportam todos da mesma forma. Será que a filosofia de estilo dos modelos deve mesmo ser tão diferente, e de aparência tão mais modesta, em relação ao estilo dos modelos Renault destinados aos mercados desenvolvidos?

O recém-lançado Duster surge como uma interessante proposta de utilitário esporte, mas se encaixa dentro dos prós e contras descritos acima, tanto quanto seus irmãos Logan e Sandero, exceto por figurar em um segmento onde será o único concorrente direto do já consagrado Ford EcoSport. O Duster segue basicamente a mesma receita do modelo da Ford, que usou toda a base de um carro pequeno, o Fiesta — no caso da Renault, a tal ponto que as portas dianteiras são as mesmas do Sandero.

A primeira impressão que se tem ao olhar para ele é que parece um modelo oriundo dos anos 90 e não uma novidade, como viria bem a calhar em um lançamento. Ao mesmo tempo, ele tem uma aparência muito robusta, o que é ideal em se tratando de um utilitário esporte. Seu aspecto espartano, com as grandes aberturas das caixas de roda, para-lamas bem abaulados e a boa altura do solo, chega a lembrar um modelo preparado para participar de ralis.

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1) Para versões básicas passa. Já para essa Dynamique, com a intenção de ser mais luxuosa e com o para-choque todo pintado, uma tela de aparência tão simples não combina.

2) Simplicidade total: apenas um volume no capô como recurso estético para não ficar liso demais. Adequado a um utilitário e combina com o carro.

3) O modelo não ter aquela aparência de novidade não é o ideal para um lançamento, mas calçá-lo com rodas que parecem ter vindo direto dos anos 90 prejudica muito. O visual das rodas faz grande diferença em qualquer carro.

4) Alguns detalhes apontados que deveriam ser maiores para combinar com o visual robusto não o são. Já o bagageiro do teto, que não tinha necessidade de ser, está enorme. A cor preta disfarça um pouco o tamanho.

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1) Simplicidade, modernidade e aparência robusta com as molduras largas e bem marcadas das caixas de roda.

2) Combinação e harmonia entre os contornos das janelas ficaram interessantes. No geral, a traseira aparenta mais modernidade que o restante do modelo.

3) Apenas atrás essa região inferior é bem curvada para dentro. Poderia ter a aparência semelhante à mesma região na dianteira para combinar, ou vice-versa.

4) O vinco demarca uma parte da superfície inclinada para dentro para formar uma sombra. O recurso é usado para “quebrar” uma área lisa ou diminuir visualmente uma área muito grande. Quase todos os carros usam um detalhe do tipo ou alguma variação na tampa traseira, porque faz diferença para um bom acabamento estético.

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Data de publicação: 22/11/11

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