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Populares ao pé da letra

Se você acha os carros de hoje despojados, veja a que
ponto chegavam os modelos "pelados" dos anos 60

Texto: Fabrício Samahá - Colaboração: Bob Sharp

Pé-de-boi, Teimoso, Pracinha: esses nomes curiosos foram os escolhidos, em 1965, para denominar as versões populares de modelos nacionais em um programa do governo para alavancar a produção e vendas da indústria automobilística. Após a derrubada do presidente João "Jango" Goulart, em 31 de março de 1964, e a instauração do governo militar, seguiu-se um período longo de recessão devido aos reajustes na economia. Automóveis acumulavam-se nos pátios das fábricas.

O plano era simples: carros mais baratos e financiamento de quatro anos pela Caixa Econômica Federal a juros convidativos. Cada fabricante logo tratou de preparar seu "popular". Os modelos eram derivados, na ordem acima, do Volkswagen Sedan, do Renault Gordini e da DKW-Vemag Vemaguet. E juntavam-se ao Simca Profissional -- versão depenada do Chambord -- para compor um quarteto bastante despojado, com uma escassez de itens de acabamento e conforto que surpreenderia qualquer dono de modelo 1,0-litro de hoje.

Ao contrário da legislação atual, que estabelece a cilindrada de 1.000 cm3 como marco divisor entre as duas alíquotas (10% e 25%) do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), naquela época a proposta do governo envolvia a simplificação dos carros para se atingir um preço acessível, mas sem a adoção de motor menos potente -- talvez porque não houvesse mais o que reduzir do Fusca 1200 de 30 cv ou dos 845 cm3 e 32 cv do Gordini, por exemplo.

Caiçara (no alto) e Pracinha, derivadas da DKW Vemaguet, e a versão Pé-de-boi do Volkswagen: opções despojadas para alavancar as vendas de automóveis num momento de crise

O governo também adotou uma isenção regressiva do imposto de consumo, começando por 90% no primeiro mês. Em busca do menor preço, os fabricantes foram longe na simplificação. O Gordini Teimoso não tinha lanternas traseiras (apenas a luz de placa com uma seção em vermelho, que supria as luzes de posição e de freio), trava de direção, revestimentos ou iluminação interna. Perdia também as calotas, o cromado dos pára-choques e dos aros dos faróis, a tampa do porta-luvas, os marcadores de temperatura e combustível e o afogador automático do carburador.

A DKW-Vemag já havia produzido uma Vemaguet simplificada, a Caiçara, antes do advento do carro popular. Essa versão foi rebatizada Pracinha e perdeu todos os cromados, frisos, calotas, tapetes, tampa do porta-luvas, vidros laterais traseiros corrediços, luz interna e até o lugar do rádio. O banco dianteiro inteiriço só podia ser ajustado pelo encaixe nos trilhos, um incômodo no caso de dois motoristas de porte físico diferente.

A porta traseira era inteiriça, em vez da bipartida (superior e inferior) da Vemaguet, e abria-se lateralmente -- embora no sentido correto em função da nossa mão de direção, o que não ocorre, por exemplo, com os utilitários esporte atuais de origem japonesa. Continua

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Fotos: Fabrício Samahá (abertura) e divulgação

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