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Muito mais que 60 Segundos de emoção


Nicolas Cage rouba 50 carros especiais e pilota, numa perseguição alucinante, um Shelby Mustang GT 500 '67 no filme de Domenic Senna

Texto: Alexandre Reis* - Fotos: divulgação

Atenção, amantes do automobilismo! Apertem os cintos, pois Eleanor está de volta. Assim como a versão original (1974), dirigida pelo falecido colecionador de jóias raras sobre quatro rodas "Toby" Halicki, o filme 60 Segundos (Gone in 60 Seconds é o nome original), que estreou dia 11 de agosto em circuito nacional, não decepciona. São carros, carros e mais carros, um verdadeiro desfile de bom gosto, com destaque para o clone do Shelby Mustang GT 500, de 1967 -- a Eleanor --, a grande paixão de US$ 60 mil de Randall "Memphis" Raines, personagem principal do filme, vivido na nova versão pelo astro Nicolas Cage.

A trama, dirigida por Domenic Senna, é simples: Raines, um renomado ex-ladrão de carros, é obrigado a voltar aos velhos tempos para salvar seu irmão, que se envolveu com um mafioso. Ele tem que roubar 50 automóveis em apenas uma noite. Observação: não qualquer Honda Civic, mas sim veículos como um Ferrari 355 e um Mercedes-Benz CL 500, outra estrela do enredo.

Cage vive Memphis, um ex-ladrão que sofre chantagem de um mafioso para o roubo dos automóveis. A bela Angeline Jolie interpreta sua ex-namorada Sway
Ao contrário do irmão Kip Raines (Giovanni Ribisi), "Memphis" não roubava por dinheiro, mas pela oportunidade de usufruir das mais potentes máquinas, tê-las sobre seu controle. Ele é um aficionado por automóveis, como o próprio Halicki, além de conhecer tudo sobre eles.

Mesmo assim, não é tarefa fácil roubar 50 carros em uma noite. Por isso, ele pede ajuda a velhos e novos amigos. Entre eles, o talentoso restaurador Otto Halliwell (vivido pelo experiente Robert Durvall) e a ex-namorada Sara "Sway" Wayland (interpretada por Angeline Jolie). A dificuldade aumenta quando um velho detetive do departamento de furtos de veículos (Castlebeck, vivido pelo ator Timothy Olyphant) fica de olho no movimento do grupo. Cabe a este detetive, com seu BMW Série 5, perseguir Eleanor, numa seqüência alucinante.

Raines faz, junto de seu time na noite anterior à grande impreitada, a relação dos 50 carros a serem roubados. O detalhe é que todas as máquinas têm nome de mulher, como Eleanor (o Shelby '67). O Hummer chama-se Tracy, o Porsche 911 foi apelidado de Tina, o luxuoso Rolls-Royce é Grace.

Cenas de 60 Segundos, uma versão moderna do filme de 1974

Nada melhor para demonstrar a afeição daqueles ladrões, principalmente de Raines, pelos automóveis. Tanto que os veículos, caros e belos, devem ser bem tratados, mesmo na hora do roubo, e assim é estabelecida uma relação de cumplicidade e reciprocidade. Há um momento do filme, quando Raines pilota Eleanor, em que, por acidente, ele danifica o retrovisor da raridade. No mesmo instante, o Shelby nega fogo e reluta em dar partida. Além disso, com nomes de mulheres os carros se tornam ainda mais atraentes.

O estória contada por Halicki é feita sob medida para os apaixonados por automobilismo. Sua grande motivação foi Eleanor, um Shelby Mustang GT 500 de 1967, estrela principal de 60 Segundos. Mas isso não quer dizer que quem não entenda nada sobre carros vai detestar o filme: talvez até, caso haja o mínimo de sensibilidade, o interesse passe a surgir.

Como disse Jerry Bruckheimer, o produtor, "o filme não é apenas sobre carros, mas sim sobre um homem que quer desesperadamente fazer alguma coisa certa na vida e que precisa, para isso, voltar a ser aquilo que outrora havia abandonado. É um filme sobre fazer escolhas tendo maravilhosas máquinas ao redor." Chega a ser frustrante sair do cinema e entrar num automóvel qualquer.

Resta uma única noite para o roubo de todos os carros. Memphis reúne velhos companheiros e traça um plano ousado, que utiliza nomes de mulheres para despistar a polícia

"Memphis" poderia ter qualquer automóvel, mas quando se tratava de Eleanor, o respeito era maior. O ladrão tinha começado uma história com o Mustang e não sabia se o final seria feliz. Justificável: a estrela exigiu da equipe de filmagem 250 pessoas no momento de catarse do filme, a perseguição final, e dezenas de câmeras.

Claro que nenhum Shelby original foi utilizado -- imagine o desperdício e os protestos dos clubes de Mustang... A idéia era escolher um carro que parecesse sexy na tela, mas que não se afastasse muito do modelo original. O lendário modelo de Shelby e outros Mustangs 1967 e 1968 foram utilizados por Jeff Mann e Jarrey Bruckheimer para desenhar o clone perfeito. No total, 12 veículos fizeram o papel de Eleanor, mas apenas sete sobreviveram até o final de 60 Segundos. Só a cena do pulo na Ponte Vincent Thomas destruiu dois deles.

E todos os 12 carros sofreram adaptações diferentes, para facilitar as filmagens. Um dos resultados, fruto do uso de câmeras acopladas em diversas partes do automóvel, é que o telespectador se sente como se estivesse dentro da máquina. Um dos Mustangs foi alterado para as cenas em que Nicolas Cage tinha mesmo de pilotar.

O filme é marcado pela perseguição da polícia ao Shelby Mustang '67, que recebe o apelido de Eleanor

Halicki, o verdadeiro aficionado

Ele é o mentor de toda a trama. Escreveu o livro pela paixão automobilística, fez o filme e, pode-se dizer, morreu por amor. "Toby" Halicki viveu um verdadeiro sonho americano. Com cinco anos saiu de sua casa em Dunkirk, Nova York, e se mudou para a Califórnia. Lá, começou a trabalhar num posto de gasolina. Com apenas um ano de serviço, montou sua própria loja. Inteligente e habilidoso, investiu em propriedades comerciais e seu sucesso com os negócios se tornou ainda mais notório. Ávido colecionador, Halicki era um apaixonado por veículos, tanto em tamanho real como em miniaturas de todos os tipos.

Em 1974 escreveu, produziu, dirigiu e atuou no seu primeiro filme, Gone in 60 Seconds. Tornou-se famoso com outro trabalho no cinema, Car Crash Kiung. Na época, 60 Segundos já havia se tornado um clássico. Repetiu o sucesso com The Junjman e Deadline Auto Theft. Quando filmava a continuação do clássico 60 Segundos, onde atuaria Denice Shakarian Halicki, sua esposa e produtora executiva da nova versão, um trágico acidente em uma das tomadas lhe tirou a vida.

Como ressalta Nicolas Cage, que na vida real é também um colecionador, há uma diferença entre o original, de 1974, e a versão 2000. "O filme dirigido por Halicki, visto por uma quantidade enorme de pessoas, foi sim toda a inspiração para a realização deste novo 60 Segundos. Porém, Halicki enfocou as perseguições, os automóveis. Há 40 minutos de perseguições no original. Este se foca mais nas relações humanas."

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Alexandre Reis é jornalista em Salvador, BA - e-mail

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